Sim, e daí que o YETI tem MIDI OUT ? Em que isso pode me ajudar ?

Respondendo rapidamente a pergunta acima, o fato do nosso Controlador YETI dispor da saída MIDI OUT poderá reduzir o tamanho e peso da sua pedaleira, e ao mesmo tempo multiplicar suas possibilidades de uso, coordenando os efeitos dos pedais "inteligentes" disponíveis no mercado atualmente. A ideia é basicamente fazer com um só pedal o que você precisaria de 3 ou mais pedais para fazer.


Os pedais "inteligentes", ou programáveis, podem assumir diferentes efeitos, em diferentes configurações. O mesmo pedal pode ser um reverb longo, e daqui a pouco ele se transforma em um reverb bem curto e logo depois vira um delay estilo "spring". Interessante, não ? E essas mudanças - obviamente - ocorrem nos momentos em que o músico deseja, coordenados com os demais pedais que usa.


Podemos imaginar que o reverb longo seja usado junto com um chorus para uma base, enquanto o reverb curto seja útil com o overdrive e que o delay fique bacana com um fuzz. Fica claro que não adianta o pedal ser inteligente se não pudermos fazer com que seu efeito entre na hora em que desejarmos. Esses pedais tem então, além dos ajustes normais, formas de se passar entre as combinações - quem já usou pedaleiras digitais vai reconhecer os termos "presets", "bancos" e demais.

 

Temos então a possibilidade de salvar os diversos conjuntos de configurações, e cada um deles leva o nome de "programa" ou "preset". Cada programa guarda seus ajustes desejados, como tempo de delay, quantidade de feedback, o decay, entre outros parâmetros - é como se guardasse fotos dos ajustes do seu DD7 (dá-lhe Boss!) e pudesse instataneamente fazer com que o pedal "rodasse" os controles sozinhos de acordo com a sua necessidade para executar a música.

 

Como se fazia então (antigamente...) para alternar de um delay longo com muito feedback para um curto "slapback" ? Das duas uma...ou se dispunha de dois pedais, com cada um ajustado de um jeito (e o sapateio correspondente para a troca entre eles), ou era necessário o ajuste direto no pedal DURANTE a execução, o que também demandava esforço e coordenação - além de alguma sorte.


Então de cara já percebemos alguma vantagem no uso dos pedais de múltiplas funções - eles podem assumir diferentes efeitos em um mesmo equipamento, poupando espaço, peso, ligações, energia e dinheiro. Mas o melhor dos mundos seria mesmo que esse pedal inteligente "soubesse" exatamente os momentos em que ele precisaria alterar seus parâmetros - ou, mais precisamente - alternar entres os presets que gravamos nele. É agora que o protocolo MIDI entra em cena para nos ajudar.

 

**** MIDI - Musical Instrument Digital Interface ****

 

O protocolo MIDI foi criado no final dos anos 1980, e basicamente trata da "linguagem" que equipamentos de áudio devem usar para se comunicar entre si dentro do âmbito digital. O MIDI permitiu que sequenciadores, teclados, baterias eletrônicas, sintetizadores, geradores de efeito, computadores e um monte de outros dispositivos pudessem trocar informações e fazer música. Em resumo, o MIDI trata de um cara que "manda" e de um cara que "obedece" - um equipamento envia um comando MIDI para que um outro execute aquele comando, tal como "toque a nota Dó da terceira oitava bem forte", ou "mude o timbre do sintetizador para clarineta", ou "abaixe o volume em 50% até ordem em contrário".

 

E onde entra a parte que interessa aos usuários de pedais? Com certeza não desejam que ninguém toque nota alguma por eles, muito menos que mude seu timbre para "clarineta"...

 

O protocolo MIDI dispõe de alguns grupos de comandos que executam as mais diversas funções dentro do contexto musical. Dentre esses grupos, um deles se destaca pela sua utilidade dentro do nosso universo guitarrístico - o PROGRAM CHANGE (ou PC). Lembram que nossos ajustes gravados nos pedais levavam o nome de "programa" ou "preset"? Nada mais simples que comandos MIDI chamados de PROGRAM CHANGE façam as mudanças que desejamos, não é mesmo?

 

O comando PROGRAM CHANGE é então emitido por um equipamento que dispõe de uma saída MIDI OUT (ele é um emissor de comandos), é transmitido por um cabo padrão midi e é recebido por outro equipamento que dispõe de uma entrada MIDI IN, que vai então executar a ordem dada. Já vou revelar aqui a surpresa... o Pedrone YETI é o equipamento emissor (dispõe do MIDI OUT), enquanto que os pedais inteligentes são os equipamentos receptores (com MIDI IN).

 

Temos um vídeo do YETi controlando um amplificador Marshall que recebe sinais MIDI:

 


E neste outro o YETi controla o Amplitube via interface USB/MIDI:

 

Mas como eu "digo" para os dois meninos (o Yeti e o pedal) a forma que eles deverão se comportar ? Como eles vão saber o que eu desejo que eles façam quando eu pisar no foot A do Yeti, por exemplo ? Vamos às respostas destas e de outras questões na próxima parte desta matéria.

 

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